Vol. V, Nº 14, Juiz de Fora, ago./nov./2010

· Volume V

Já na décima quarta edição de sua revista eletrônica, o Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos saúda os leitores desta publicação com cinco contribuições. Abrindo a edição, temos o artigo Alguns apontamentos históricos e críticos sobre a teologia da revolução de Richard Shaull, no qual Fábio Henrique Abreu, aluno do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, traça-nos um panorama da história da teologia protestante latino-americana e, nesse panorama, busca salientar a autonomia e as contribuições dessa reflexão. É no pensamento do missionário norte-americano Richard Shaull, que Abreu encontra uma “inovação na práxis teológica protestante latino-americana, outrora marcada por um indiferentismo em relação ao seu contexto”.

Ricardo Vélez Rodríguez, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora e Coordenador do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da mesma instituição, em Joaquim Nabuco e o seu significado para o pensamento brasileiro oferece-nos um retrato do pensamento do autor de O abolicionismo, destacando aspectos biográficos que levaram o autor pernambucano a amadurecer suas ideias políticas, que segundo Vélez Rodríguez, podem ser resumidas em três pontos essenciais: 1º. a lição de moderação liberal nas reformas a serem executadas, 2º. a defesa das instituições que garantam o exercício da liberdade e, 3º. em matéria de política externa, uma postura realista alinhada aos interesses da Nação.

Milena Guerson, em De razões poéticas a reflexões estéticas: Uma leitura sobre o pensamento de Ana Mae Barbosa – da naturalização dos processos artísticos à aproximações entre ensino da arte e filosofia, apresenta-nos uma reflexão acerca da presença da arte no ensino brasileiro. Partindo das contribuições de Ana Mae Barbosa e de um panorama da presença da arte nos currículos escolares, questiona a autora o status da mesma como disciplina, destacando as contribuições de pensadores como John Dewey, Anísio Teixeira, Luigi Pareyson e a própria Ana Mae Barbosa.

Roberto Roque Lauxen, em A filosofia brasileira: As posições de Antônio Joaquim Severino e Miguel Reale, apresenta-nos a problematização de duas visões do pensamento filosófico brasileiro. Primeiramente, destaca o autor a abordagem de Antônio Joaquim Severino, para quem a filosofia brasileira pode ser caracterizada como a imitação dos modelos filosóficos constituídos alhures. Embora ressaltando a circunstancialidade do trabalho filosófico nacional, para Antônio Joaquim Severino, “[…] o dimensionamento puramente conceitual dessa atividade quase que se desprende das particularidades da realidade concreta”. Já para Miguel Reale, a circunstancialidade seria algo intrínseco ao próprio filosofar, o que nos permitira afirmar a possibilidade de modos particulares de percepção e resposta dos problemas universais. Para Reale, “apesar da universalidade da pergunta filosófica e da existência de respostas que pairam acima das diversidades histórico-sociais […], existem inegáveis diferenças ou peculiaridades na maneira pela qual cada ‘cultura fundamental’ […] situa os problemas”.

Finalizando esta edição, temos as resenhas de Ronaldo Pimentel sobre a obra Causalidade e direção do tempo: Hume e o debate contemporâneo, de Túlio Aguiar, e a de Ricardo Vélez Rodríguez sobre a obra O Pensamento pedagógico de António Sérgio, de Ivone Moreira.

Artigos (Número completo em pdf)

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