Vol. III, Nº 10, Juiz de Fora, abr.-jul./2009

· Volume III

Com a coragem que lhe é característica, a Ibérica – Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos vem em seu 10º número abrir as comemorações de seu terceiro ano de existência. Iniciativa de um grupo de alunos de graduação do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora, com o apoio de seu mestre e incentivador Ricardo Vélez-Rodríguez, a revista, que ora se apresenta, é um grito de independência intelectual. Podemos afirmar que, nestes três anos de existência tentamos nos manter dentro das linhas mestras que foram traçadas no primeiro parágrafo de nosso primeiro número que diziam: “A Ibérica nasce a partir das atividades realizadas pelo Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos que, desde o ano de 2003, vem se dedicando à pesquisa de temas relacionados à cultura ibérica e ibero-americana. A idéia de uma revista eletrônica surge como uma forma de estender as atividades do núcleo, aglutinando opiniões daqueles que, como nós, se dedicam ao tema.” Tentamos também, de forma democrática, dar voz a todos aqueles que procuram a Ibérica – Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos como meio de comunicar suas pesquisas, sejam eles estudantes de graduação ou já renomados pesquisadores de nível internacional.

Em nossa décima edição nada do que foi exposto acima poderia deixar de estar presente. Ainda como parte do evento Padre Antônio Vieira: Ver, Ouvir, Falar, o Grande Teatro do Mundo, ocorrido no mês de novembro de 2008 em Lisboa, temos o artigo Aspectos da Recepção do Padre António Vieira em Histórias de Portugal dos Séculos XIX e XX. Artigo apresentado pelo professor da Faculdade de Letras de Lisboa e investigador do Centro de História da Universidade de Lisboa, Ernesto Castro Leal.

Já no artigo A Jornada de Parreiras: Da Pintura de Paisagem aos Mártires, o acadêmico de história da UFJF, Antonio Gasparetto Júnior, traz uma intrigante reflexão de história regional, fazendo a leitura do quadro Jornada dos Mártires de Antonio Parreiras. Em sua reflexão o autor se propõe a responder sobre as seguintes questões: “por que um quadro representando os inconfidentes em Matias Barbosa seria importante para a prefeitura de Juiz de Fora? O que estaria fazendo tal quadro em um museu majoritariamente ligado ao Império? Por que os personagens seriam representados como derrotados? Por que Antônio Parreiras seria o pintor contratado para produzir tal obra?”

Ao ensejo do momento de reflexão, em nível mundial, em torno do problema de conservação do meio ambiente e da ecologia, James Jackson Griffith do departamento de Engenharia Florestal da UFV-MG, vem apresentar uma revisão bibliográfica sobre As Origens Intelectuais da Filosofia Ambiental no Brasil. Artigo que aparece em boa hora, alertando para a necessidade e o papel da meditação filosófica sobre o problema ambiental.

Em seu artigo Cem Anos de Solidão: Uma Reflexão Sobre a Problemática da Identidade na América Espanhola, Bruno Maciel, licenciado em filosofia pela UFJF e acadêmico em história pela mesma instituição, afirma: “Cem Anos de Solidão, além de um excelente romance, é uma profunda reflexão sobre os fundamentos que compõem o ideário colombiano, sem, todavia, esquecer os fios que os unem à América como um todo, e em particular, à América Espanhola. O desenrolar da obra perpassa por acontecimentos marcantes da história da Colômbia entre meados séculos XIX e início do século XX. Nos moldes do Realismo Fantástico, estilo literário que consagrou García Márquez mundialmente, Cem Anos de Solidão esconde um tratado rico em significações.” É sobre alguns desses significados que o autor discorre em sua meditação.

Num país em que liberal configura-se com um termo pejorativo, assumir-se como tal é defender essa mundividência, que ultrapassa os limites da economia – o que é ignorado pela maioria de seus detratores, como afirma o saudoso filósofo paulista Roque Spencer Maciel de Barros – é um ato de desprendimento e de coragem. É esse ato que encontramos no artigo O Liberalismo e o Capitalismo Ainda são Aqueles, de Paulo Kramer, professor de Ciência Política da UnB e membro do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa” da UFJF. No artigo de Kramer encontramos uma sólida argumentação em favor da desmistificação do conceito de liberalismo. Demonstrando o autor que este não é o monstro de sete cabeças descrito “pelas viúvas do muro de Berlim”, tal como aprendemos desde nossa primeira infância.

E para encerrar, o artigo Quem Tem Medo da Filosofia Brasileira, do professor Ricardo Vélez-Rodríguez, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa” da UFJF e do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos da UFJF, traz um breve histórico das dificuldades e da luta pela continuação dos estudos acadêmicos sobre a Filosofia Brasileira. Para o autor “aconteceu, na seara da filosofia, estranho fenômeno de colonialismo cultural que foi, progressivamente, extinguindo tudo quanto, no nosso país, cheirasse a estudo do pensamento brasileiro ou à consolidação de uma filosofia nacional…”. Assim como o artigo anterior, de Paulo Kramer, essa também é uma página que demonstra de seu autor a força e abnegação de quem se dedica, há anos, ao estudo das filosofias nacionais.

Artigos (Número completo em pdf)

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