Vol. I, nº 4, Juiz de Fora, jun.-ago./2007

· Volume I

Os trabalhos publicados neste número da Ibérica – Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos constituem as comunicações feitas pelos membros do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da UFJF, ao ensejo do 1o. Colóquio, realizado no auditório do Centro de Ciências Humanas da Universidade, no dia 14 de junho de 2007, das 14 às 19:30. O evento contou com a presença de aproximadamente trinta pessoas (professores e alunos da UFJF e de outros Centros de Estudos Superiores de Juiz de Fora e de cidades vizinhas). O título do Colóquio foi “Filosofia, Estado Patrimonial e Imaginação Literária na América Latina” e teve como objetivo socializar, na comunidade acadêmica, as pesquisas realizadas, ao longo dos últimos quatro anos, pelos membros do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da UFJF. As reuniões do Núcleo ocorrem todas as quartas-feiras, no Departamento de Filosofia da UFJF e, no decorrer do último semestre, os trabalhos foram divididos em três frentes: a primeira trabalhou sobre as mitologias ameríndias, a segunda sobre as relações entre poder e imaginação na literatura latino-americana, ao redor da temática do Estado Patrimonial e a terceira sobre os pensadores brasileiros, sendo que foram estudadas as obras de Miguel Reale, Vicente Ferreira da Silva, Antônio Paim e Roque Spencer Maciel de Barros.

O Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da UFJF foi criado, em 2003, por iniciativa de um grupo de alunos do Curso de Filosofia, interessados em estudar os pensadores brasileiros e ibero-americanos. O professor Ricardo Vélez Rodríguez decidiu colaborar com a proposta desses alunos e o grupo começou a se reunir regularmente, uma vez por semana, para estudar os representantes da meditação filosófica brasileira. Essa iniciativa dos estudantes do Curso de Filosofia da UFJF veio somar-se a outras semelhantes, que começam a aparecer em várias Universidades pelo país afora, no sentido de restabelecer a regularidade dos estudos da filosofia brasileira, bem como das filosofias dos países ibéricos e hispano-americanos. Convém lembrar que, por pressões da CAPES, os Cursos que existiam, nesse terreno, foram sendo fechados: primeiro, o Mestrado em Pensamento Brasileiro da PUC-RJ (organizado em 1972 e fechado em 1979); segundo, o Mestrado e Doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro da Universidade Gama Filho (iniciado em 1977 e fechado em 1996); terceiro, o Curso de Mestrado em Filosofia Brasileira da UFJF (iniciado em 1984 e fechado em 1994). Essa posição contrária da CAPES em face do estudo das filosofias nacionais brasileira e hispano-americanas, correspondeu a evidente preconceito de extração neocolonialista, como se não fosse válido o estudo da própria cultura, deixando a Filosofia unicamente como disciplina repetitiva do que se pensou na Europa e nos Estados Unidos. Paradoxalmente, isso aconteceu num momento em que, em vários países, começaram a ser valorizadas as pesquisas das filosofias nacionais, como é o caso de Portugal, da Espanha, da Itália e de alguns países hispano-americanos (Colômbia, Argentina, México, Chile, Peru, Cuba, etc.), numa clara resposta, no terreno cultural, em face dos desafios da globalização.

Os editores da Revista Ibérica congratulam-se com essa renascença do interesse pelo estudo da nossa meditação e externam o seu propósito de colaborarem com essa iniciativa, realizando, com regularidade, os Colóquios, sobre temas palpitantes da cultura ibérica e ibero-americana.

Artigos (Número completo em pdf)

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